quarta-feira, 31 de março de 2010

Olha a hora.



Poxa. Que cara enrolador esse tal relógio. Parece que não deixa a hora marcada chegar. Pelo menos a hora marcada pela vontade. Ele sempre deixa quem espera na mão. Ainda vem com uma conversa: "Pra hora sou britânico". É sim, só se for pras negas dele...
A ansiedade sempre me disse pra não confiar nesse cara. "Ele faz de tudo pra alongar a espera", me disse uma vez com os olhos vermelhos de raiva. E eu concordei.
Há dias eu vejo a lua e espero... espero. Ela nasce, cresce, fica cheia e mingua... e nada da hora chegar. Será que essa é minha sina? Esperar?
Por outro lado, esta demora toda me permite imaginar... E quando eu imagino, as coisas são como eu quero. Igual quiném. Mas a imaginação não o redime da culpa.
Isso mesmo, culpado. O relógio tem toda a culpa. Das minhas unhas ruídas, das dúvidas nascidas, das inseguranças sentidas.
Deixa eu pegar esse tal relógio pra ele ver. Vou adiantar seus ponteiros. Daí, minha própria hora, posso fazer chegar.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Dance with me!

Era certo que isso não aconteceria de novo. Não, ele não se renderia.
Estava cansado de desejar que as estradas encurtassem, que os ônibus virassem trem-bala e que o final de semana fosse a cada dois dias. Nada podia ser mais angustiante do que envolver-se com alguém a quilômetros, mais uma vez.

Isso criou um conflito. O coração falava uma coisa, os pensamentos outra, a cara outra.
Por que tão longe? Era a pergunta que surgia em sua cabeça, abrindo alas para um turbilhão delas: Por que de novo? Vou ter que ficar a mercê de minha imaginação fértil aos sábados a noite? Vou, mais uma vez, contar os dias para o próximo encontro? Vou, de novo, gastar o dinheiro reservado pra casa própria ou pro carro nos guichês da rodoviária? Ou nos pedágios? Vou sofrer de saudade e solidão quando mais precisar?

Pra piorar, ainda tinha mais. O cara era um desconhecido. Irresistivelmente desconhecido. Ao mesmo tempo, extremamente familiar. Daquele jeito, bem íntimo, sem terem nunca se encontrado pessoalmente.
A palavra "virtual" lhe soava estranha, tinha um ar pejorativo, impessoal. Preferia não pensar assim. Mas ele era tão lindo, parecia tão real. Era real. Como não podia ser? Não tinha sentido ele se resumir a caretas na janela do aplicativo ou a mensagens de texto nas altas horas.

Era tanta coisa na cabeça que mal pôde dormir. Conseguiu só no meio da madruga. Mesmo assim, acordou com um ânimo novo. Aquele bem típico de quem está apaixonado. O sono parecia ter apagado todas as dúvidas e medos retomados.
Não pensou duas vezes. Colocou meia dúzia de roupas na mochila, escovou os dentes sem tirar o sorriso do rosto e saiu tão depressa que até esqueceu de avisar quem deveria.
No primeiro pedágio, a moça da cabine sorriu de volta quando ele passou. No rádio, a música falava: "Won't you dance with me?"



NOUVELLE VAGUE - DANCE WITH ME



e vamo bota fogo nos "serás"!

sexta-feira, 26 de março de 2010

E não é que fomos surpreendidos novamente?




Ehehe. É por isso que eu falo.
Quando a gente menos espera, acontecem coisas na vida que mostram que, por mais que a gente queira, e sofra, e tente se programar, não adianta: ela vem, dá uma rasteira e a gente cai bonito no chão.
Ainda bem que dessa vez foi coisa boa!

Foooooogo nesse marasmo que já tava de amargar!

terça-feira, 23 de março de 2010

Válvula de Escape

Fazia tempo que queria um blog. Mas ainda não sabia sobre o que escrever - nem como - e fui adiando, adiando... Minha vida andava, e anda, tão corrida que percebi que por mais que eu esperasse ela dar uma acalmada, isso não iria acontecer.
Por isso resolvi entrar logo de uma vez nesse negócio pra soltar o verbo, falar o que der na cabeça, quando der na cabeça.
Pra começar, o Naipes Flamejantes chegou para ser uma válvula de escape. Isso mesmo! Um lugar pra chamar os cachorros, soltar a franga, falar o que der na telha e expressar opiniões, desejos e sensações que, na maioria das vezes, eu guardo só pra mim.
Não sei se isso será interessante para todos, mas pra mim pelo menos vai ser divertido e útil.
Pois bem. Seja bem-vindo ao meu mundo nada particular. Vamos botar fogo nessa joça!