quarta-feira, 31 de março de 2010

Olha a hora.



Poxa. Que cara enrolador esse tal relógio. Parece que não deixa a hora marcada chegar. Pelo menos a hora marcada pela vontade. Ele sempre deixa quem espera na mão. Ainda vem com uma conversa: "Pra hora sou britânico". É sim, só se for pras negas dele...
A ansiedade sempre me disse pra não confiar nesse cara. "Ele faz de tudo pra alongar a espera", me disse uma vez com os olhos vermelhos de raiva. E eu concordei.
Há dias eu vejo a lua e espero... espero. Ela nasce, cresce, fica cheia e mingua... e nada da hora chegar. Será que essa é minha sina? Esperar?
Por outro lado, esta demora toda me permite imaginar... E quando eu imagino, as coisas são como eu quero. Igual quiném. Mas a imaginação não o redime da culpa.
Isso mesmo, culpado. O relógio tem toda a culpa. Das minhas unhas ruídas, das dúvidas nascidas, das inseguranças sentidas.
Deixa eu pegar esse tal relógio pra ele ver. Vou adiantar seus ponteiros. Daí, minha própria hora, posso fazer chegar.

Um comentário:

Gu disse...

Ponteiro adiantado, maldito relógio quebrado. De doze em doze, os dias foram longos, mas a verdade é, A HORA MARCADA CHEGOU, com toda exatidão, naquela quinta-feira, às 8:00pm horas ele despertou.