quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Brinde

Era só um 23 de dezembro.
Um dia a mais que seu filho carregava o segredo.
Ele veio dizendo que queria conversar.
E o conversar era feito de um monólogo, pelo menos até aquele momento.
E ele falou. Contou tudo, abriu-se, mostrou-se para o filho que ouviu.
Narrou as mazelas, os desentendimentos, tentações, dúvidas e inseguranças da vida.
Coisas que o filho jamais imaginaria ouvir dele, e de um jeito delicado que só ele poderia revelar.
Ao final de tudo, mais de hora de conversa, fez-se entender:
“Sabe por que te conto tudo isso?
Porque sou seu melhor amigo. E os melhores amigos sabem de tudo da vida um do outro.
Você tem alguma coisa pra me contar?”

E assim, o filho, desarmado, rendido e completamente admirado, disse:
“Eu sou gay.”

O pai, já sabido, lhe deu um longo e apertado abraço.
O segredo não precisava mais ser carregado.



Meu pai sempre teve dessas. E hoje, por nada, acordei com uma música que ele sempre cantava. E cantava muito bem.
Sei que talvez vocês não gostem, mas pra mim Champagne é muito mais do que uma bebida ou uma música. É uma lembrança incrível!



Um brinde ao meu pai!
:)

22 comentários:

Marisa Takahashi Watanabe disse...

Parabéns pelo o pai que você tem. Se todos fossem assim, mta coisa seria diferente neste mundo.

E Champagne... lembra a minha infância. Minha mãe ouvia tbm... capaz dela ouvir até hoje, afinal, o gosto dela é bem diversificado, pra não dizer estranho =D

FOXX disse...

uau, q pai!

Janaína disse...

essa história é linda, enche meus olhos de lágrimas!
e eu SEMPRE me lembro de vc qdo escuto pepino di capri!
bjo

Paulo Braccini disse...

um dos mais belos relatos q já vi sobre o tema ... comigo foi bem semelhante ... qdo me revelei à família todos já sabiam e tb me abraçaram e me felicitaram por eu ter me permitido ser um SER completo ... o grande entrave está em nós mesmos e não nos outros ... na grande maioria dos casos ...

qto à canção é adorável ... embalou minha adolescência nas famosas horas dançantes ...

bjão querido ... somos felizes por isto ...

ps: 23/12 ... grande data para vc e para mim ... nasci neste dia ... rs

;-)

Wans disse...

O post do dia!

@adriano_mariano disse...

Fantástico. Vou já abraçar meu pai...

Edu disse...

Putz, que bela história!!! E a canção, que eu já gostava, ficou ainda mais bela!

Rafa disse...

Ai.. que pai fofo! Minha história é muito diferente...

Parabéns!

Bj

Fred disse...

Não precisa dizer mais NADA depois disso TUDO!
Cheers!

Fernand's disse...

nesse momneto quatro pulmões conseguiram finalmente repirar todo o ar que precisavam e gostariam.

felizes daqueles que têm pais maravilhosos.


bjs meus

Gabuh disse...

contei pro meu pai sobre aceitação da minha homossexualidade no meio do ano passado. por mais que ele NÃO TENHA me dado uma surra, me posto pra fora de casa e parado de falar comigo, não foi uma notícia que ele recebeu com queima de fogos, né??! houve uma frustração. ele até já suspeitava que isso fosse acontecer um dia, porém, preferia que não houvesse suspeitas que levassem a realidade, claro. eu nunca tive uma namorada, muito menos olhava pras bundas das meninas quando saía com ele.

ainda na época que me assumi pros meus pais e pessoas próximas, colecionei algumas discussões com o meu pai. nada grave. no fim ele afirmou que me amava de qualquer maneira e não teria vergonha de ter um filho gay. beleza, achei fofo. contudo, de lá até então, nunca mais comentamos sobre esse assunto aqui em casa. ficou um clima desconfortável, meio que proibido, sei lá... mas fora isso, eles agem comigo da mesma forma que antes. é difícil haver um diálogo sobre assunto sérios com os meus pais. ter contado pra eles que eu sou gay é uma das poucas lembranças de diálogos com os meus pais que tenho. sinto falta disso da parte deles. sinto falta de carinho.

Antonio de Castro disse...

eu posso ter adorado esse texto?

lindo.

Karina AT disse...

Dan,

Muitas emoções, vamos por partes:

1. Você sempre foi a delicadeza e a lindeza em pessoa. Agora sei a quem você puxou. Mil brindes ao seu pai e mais mil a vc, querido. Seja sempre muito feliz!

2. Ganhei meu dia com o comentário que vc deixou no Madre. Mas preciso te dizer uma coisa: "não é feitiçaria é tecnologia", haahhahahah!!

3. Tem promoção nova no blog e eu queria divulgar por aqui, tudo bem? Passa lá: http://madre-santa.blogspot.com/2011/02/sorteio-pra-quem-gosta-muuuuuuuito-de.html

4. Muita saudade de dançar forró com vc! Rsrs!
Beijo,
K

Autor disse...

Lindo, definitivamente.
Tenho uma certa inveja branca de relacionamentos paternos assim.
Amo meus pais, mas meu relacionamento com eles sempre foi o de pais e filhos, nunca fomos amigos.
Nunca desabafei com eles, nunca me senti à vontade para falar de coisas muito íntimas.
Os amo incondicionalmente, sei que eles fariam qualquer coisa por mim, mas não tenho a abertura necessária para, por exemplo, falar da minha homossexualidade com eles.
Por isso, ler relatos como esse seu, me deixam assim, pensativo.

Bjão

Lobo disse...

Sinto um misto de inveja com felicidade. Adoro ver quando as coisas transcorrem naturalmente bem, ao mesmo tempo que acho uma merda não ser assim para várias pessoas, e não ser assim para mim também.

Assim como o Autor, minha relação com meu pai nunca passou de Pai e filho, comando de cima para baixo. E nem vai passar.

Então resta sentir-me feliz quando alguém transpõe isso XD.

Beijo Dan!

Dêco disse...

Sentir uma inveja branca é permitido? Fico feliz por sua história e me encanta muito.
Beijos

Marcos Campos disse...

Putz ! Muito legal, fiquei comovido !
E música, musica...coisa essecial para a vida, a gente nas lembranças pra muita coisa, e as vezes só é pra gente mesmo...
Valeu mesmo o post !
Abraço !
P.S: Na minha familia é uma história de silêncio, o segredo, todos já desvendaram e não faço questão nenhuma de esconder, mas conhecendo-os, melhor assim...tá todo mundo bem assim...

aleksandrinha disse...

Conheço essa história há tempos, mas você consegue transformar tudo em poesia, né? Amo vocês!!!
Beijos.

inconstanteblog disse...

Ah, que história linda, Dan! Deve ter sido um belo presente de natal ;)

Nas bandas de cá, li e imaginei um curta rapidinho sobre isso :D

Xêro e ótimo fds!

Junnior disse...

Um pai tão sensível, habilidoso e compreensível assim, merece mesmo homenagens.
Um brinde aos dois.
[visitando o blog pela primeira vez]
Junnior.

[ joe ] disse...

que incrivel sua historia! e o jeito como dividiu, ficou tao especial! parabens pela sorte de ter um pai assim. poxa, me deu uma leve arrepiada.
nao me espanta que voce carregue esse sorrisão pela vida.
=*

[j]

o Humberto disse...

O post mais bacana que eu li aqui no seu blog, Dan, muito lindo.

Você é um cara especial, tinha mesmo de ser filho de alguém especial também.

Também adoro meu pai. Ainda não vivemos um momento desses (e acho que talvez não role), mas a gente se ama.

Bjos, meu querido. :)